Em um cenário ainda envolto em incertezas, a expectativa de crescimento para a economia global vem sendo mantida pelo FMI, desde julho, em 3,1% para o final do ano de 2016. Seguindo esse comportamento de manutenção, a taxa prevista para o ano de 2017 também permaneceu inalterada, em 3,4%. A não revisão da tendência de crescimento, de acordo com o FMI, deve-se pela desaceleração das economias avançadas em 2016, a qual vem sendo compensada pela recuperação dos países emergentes. Para o primeiro grupo, houve redução de 0,2 p.p. em relação ao crescimento previsto no panorama divulgado no último mês de julho. Já as economias emergentes tiveram aumento tímido de 0,1 p.p, devendo alcançar variação de 4,2% em 2016.

Os EUA, nesse contexto, têm frustrado as expectativas e seu desempenho vem sendo um dos principais responsáveis pela perspectiva de queda do cenário global. Dessa forma, o crescimento estimado pelo FMI para o país é de 1,6% para este ano, queda significativa de 0,6% em relação à projeção anterior. Em 2017, a maior economia do mundo deve apresentar variação positiva de 2,2%. Na Zona do Euro, a expectativa de crescimento também é inferior ao realizado nos últimos anos, com 1,7% para 2016 e 1,5% para o ano seguinte.

A tendência à adoção de medidas protecionistas, como exemplo pode-se citar o Brexit, é um dos fatores mencionados pelo FMI como impacto nas decisões de investimento, no arrefecimento da economia e comércio mundiais. A preocupação levantada pelo Fundo é que estas práticas reverberem em outros países, sobretudo nos EUA, em fase de transição presidencial.

No grupo dos emergentes, merece destaque a Rússia, com expectativa de recuperação e sinais de estabilização. Para China e Índia espera-se crescimento na ordem de 6,6% e 7,6%, respectivamente. A primeira encerrou o terceiro trimestre com crescimento de 6,7% em comparação ao mesmo período de 2015, impulsionado principalmente pelo setor de consumo. Apesar da forte desaceleração apresentada nos últimos anos, a China ainda deve contribuir com cerca de 40% do crescimento global de 2016.

Para a economia nacional, a perspectiva é de gradativa melhora, com tendências à saída da recessão. Para o FMI, o PIB brasileiro deve apresentar variação negativa de 3,3% em 2016 e alta de 0,5% em 2017. Já as projeções realizadas em outubro de 2016 pelo BCB para o mesmo tema são mais otimistas. A autoridade monetária nacional prevê queda de 3,2% no ano corrente e alta de 1,2% em 2017. A tendência de melhora é justificada pelo que o mercado chama de absorção de choques econômicos passados, como o declínio nos preços das commodities e os ajustes dos preços administrados, e diminuição das incertezas políticas.

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br - dessazonalizado), um dos sinalizadores do desempenho da economia nacional, apresentou melhora nos níveis de redução. No acumulado de 12 meses até agosto de 2016, houve queda de 2,7%, ritmo de redução menor do que o registrado no período anterior, 5,2%.

Quanto à inflação, permanece a tendência de ultrapassagem do teto da meta (6,5%). No final do ano de 2016, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve alcançar o valor de 6,9% e de 5% em 2017. Este mesmo índice acumulou alta de 5,5% de janeiro a setembro/16 e de 8,5% em 12 meses, também até setembro.

A economia regional tem sentido os impactos da conjuntura nacional, porém em níveis minimizados em comparação ao restante do país. Um dos indicadores que demonstram esse fato é o Índice de Atividade Econômica do Pará (IBC-r), calculado pelo Banco Central. No mês de agosto, registrou-se variação negativa de 0,9% em relação ao mês anterior. No entanto, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, observa-se crescimento de 1,2%, segunda variação positiva no ano corrente. Influenciando positivamente a composição do IBC-r, tem-se a produção industrial, que obteve aumento de 17,4% quando comparada ao mesmo período de 2015 e de 1,7% em relação ao mês anterior. Em contrapartida, os setores de comércio e serviços apresentaram percentuais negativos de 1,7% na comparação entre os meses de agosto e julho de 2016.

No que tange à inflação, a região Metropolitana de Belém apresentou a quarta maior variação dentre as 13 regiões observadas pelo IBGE. O IPCA acumulado em 12 meses até setembro atingiu 10,1%, sendo impulsionado pela alta dos preços do grupo alimentação e bebidas (0,5%), enquanto a maioria das demais regiões metropolitanas registrou queda nesse grupo.